Lenda dos Corpos Secos – Brasil

Diz a lenda, que um grupo de escravos eram muito maltratados e torturados por uma tradicional família de latifundiários da época. Eram desmoralizados e passavam por constantes humilhações públicas para demonstrar o poderio daquela gente que controlava a política da cidade de São Thomé das Letras.

Revoltados, os escravos se amotinaram e prepararam uma tocaia para a família que ia à missa todos os domingos. Enquanto o varão ia conduzindo o carro de boi e a mãe rezava o terço, os escravos o observavam do mato. Em casa restava apenas uma menina de 5 anos, que tinha ficado aos cuidados da mãe-preta, a escrava governanta.

Ao sentirem preparados, os escravos atacaram e mataram friamente seus proprietários e rumaram até a fazenda, onde a escrava escondeu a menina dentro de um colchão de capim, mentindo que a mesma fugira para o mato ao ouvir os gritos dos pais.

Os negros saquearam todo o ouro e pertences da fazenda, prometendo entregá-los à Igreja, porém não o fizeram. Foram perseguidos pelos fazendeiros da região e muitos foram presos, flagelados e mortos. Um pequeno grupo se escondeu em uma gruta, mas acabaram morrendo se sede e fome. Seus corpos não apodreceram, mas secaram e hoje, acreditasse que aquele que achar os corpos secos, achará também o ouro.

 

Lenda da Toca da Saudade – Brasil

A história conta de que São Thomé das Letras foi um lugar de tristeza e desolação numa época remota, anda dominada pela monarquia. A serra teria sido escolhida para abrigar hansenianos, que naquela época eram isolados em colônias pelo pouco conhecimento da doença e suas formas de transmissão e contágio. Seria este o fator agravante para mais tarde, fundar, no caminho para Três Corações, a Colônia Santa Fé (até hoje em funcionamento).

Diz-se que a Toca da Saudade tem este nome por uma verdadeira história de amor, só vista nos filmes. Morava naquelas imediações uma família nativa, cujo o patriarca foi acometido pela mancha, tendo que ser separado de seus familiares. Assim, foi isolado na cidade, se abrigando em uma gruta, enquanto os seus se mudaram para Três Corações.

Contam que este senhor passava horas olhando a cidade vizinha e se lembrando da família que o abandonara, assim chorava e gritava de dor, aterrorizando os que ouviam seus clamores.

Até hoje, se chocam as pessoas que sabendo da história perguntam sobre a gruta e como resposta obtêm a informação de que toda a gruta teria sido cuidadosamente extraída da serra e montada nos jardins de uma mansão da cidade de São Paulo. Os motivos até hoje são desconhecidos e os próprios fatos aqui relatados fazem parte do imaginário coletivo da cidade, sem nenhuma prova concreta do que realmente possa ter acontecido.

Lenda de Chico Taquara – Brasil

Uma das lendas mais conhecidas na cidade de São Thomé das Letras é a que dá conta da existência de um velho curandeiro com poderes mágicos. Chico Taquara apareceu na cidade e conta a história que morava em uma gruta local.

Ficou muito conhecido pelas curas milagrosas que fazia, os antigos moradores que tiveram a oportunidade de conhecer essa estranha criatura juram que o viram conversando com animais. Assim como São Francisco de Assis, Chico gostava e respeitava todos os animais, incapaz de maltratar uma só formiga, era comum vê-lo chamar os pássaros com palmas e ser atendido pelas aves que pousavam em seus ombros.

Os hábitos e condutas de Chico Taquara revelavam ser um homem simples com maneiras rudimentares de se comportar. Estas observações feitas acerca do folclórico personagem, inclusive dão conta de que era seu costume passar mel nos cabelos e pendurar argolas de ferros nas pontas.

O mais famoso relato a respeito do homem que vagava fazendo curas milagrosas e salvando animais é a de que certa vez, uma mulher doente sentia as dores do parto e por morar num lugar afastado, sem saber o que fazer pediu ao marido que lhe trouxesse Chico Taquara e que este a ajudaria. Ao encontrá-lo, contou-lhe sobre a esposa, sendo acalmado por Chico que pediu que o marido retornasse e ele logo sairia. Chegando em casa, o marido encontrou a esposa sorrindo junto a porta com o recém-nascido nos braços, esta lhe perguntou: -Você encontrou o Chico pelo caminho? Ele se foi há quase uma hora. Este nada entendeu, pois tinha gastado mais de uma hora cavalgando para ir e voltar da casa do curandeiro.

Quando caminhava pelas pacatas ruas do então vilarejo, levava algumas reses com quem ia murmurando coisas incompreensíveis, ao chegar em algum estabelecimento abaixava e riscava um círculo no chão, onde durante todo o tempo em que permanecesse ali, nem se mexiam seus animais.

Estudiosos afirmam que Chico Taquara era um dos enviados de uma civilização intra-terrestre, cuja passagem, um dos portais dimensionais está localizado em um local de São Thomé das Letras. Ao cumprir sua missão com os seres humanos aqui na Terra, ele teria retornado aos mundos interiores.

Gruta de São Thomé das Letras – Brasil

Conta a lenda que, no final do século XVIII, um escravo da fazenda Campo Grande, mal tratado por seu senhor, fugiu da fazenda e encontrou uma gruta, onde se refugiou e viveu por bastante tempo escondido, comendo frutos silvestres, raízes e peixes.

Um dia, um senhor de roupas claras e traços finos apareceu ao escravo fugitivo, perguntando-lhe o motivo de sua permanência por tanto tempo naquela gruta. O escravo, então, contou-lhe sua história. O estranho homem escreveu um bilhete e o entregou ao escravo, instruindo-lhe que levasse ao seu senhor e prometendo-lhe que seria perdoado.

O escravo obedeceu. Ao ler a carta, seu senhor admirou-se de letra tão invejável e tão fino papel, incomuns para aquele tempo. Resolveu, então, ir até a gruta onde o escravo estivera, mas não encontrou mais ninguém. Porém, constatou a presença de uma pequena imagem identificada como sendo de São Thomé, apóstolo de Cristo, esculpida em madeira. Assim, o senhor da fazenda decidiu colocá-la na capela, hoje substituída pela Igreja Matriz, perdoando o escravo por sua fuga.

Diz-se que São Thomé ficou sendo “das Letras” por causa dos desenhos rupestres feitos em vermelho que, ainda hoje, podem ser vistos na entrada da gruta. Mas, a pergunta que não cala é: – Será que o homem de vestes brancas não era o próprio São Thomé?

Lenda de S. Jorge

Era uma vez um país governado por um rei sábio que vivia feliz com a esposa e a sua formosa filha.
    Também os súbditos do rei viviam felizes e tinham animais e terras para cultivar. 
   
Os dias corriam felizes no pequeno país e num dia de má memória apareceu um Dragão com asas de morcego que tinha a pele mais dura que pedra. O Dragão enfiou o pescoço nas muralhas e quando os súbditos do Rei o viram abandonaram as ruas tropeçando uns nos outros e foram logo para as suas casas.
Alguns soldados foram avisar o Rei que perguntou ao Dragão o que queria.
    –  Eu podia comer os teus súbditos todos ao pequeno almoço e deixar outros para o jantar ou deitar fogo à tua cidade. – disse o Dragão.
    O Rei disse ao Dragão:
    – Se tu poupares as nossas vidas não te faltará de comer. 
    Depois o Dragão propôs que tinham de lhe entregar todos os dias quatro vacas, seis ovelhas e duas galinhas.
    E dito isto, deu meia volta e foi para a montanha fazendo tremer a terra com cada passo que dava.
    A partir daí, toda a gente passava o dia fechada em casa, ninguém se atrevia a sair para trabalhar nos campos, mas todos os dias os pastores levavam à montanha onde vivia o Dragão o que ele tinha pedido.
    Entretanto, os galinheiros os estábulos e os currais ficaram vazios, o Rei mandou os seus soldados a todas as povoações para arranjar mais animais. O Rei pensou que podia alimentar o Dragão com as sementes e legumes.
    A reacção do Dragão ao ver os legumes foi ainda pior do que o Rei temia e o monarca disse ao Dragão que tinha comido todo o gado.
    Então o Dragão exigiu que quando chegasse a Princesa queria uma rapariga.
    O Rei não quis comunicar com os seus súbditos o que o Dragão lhe pediu e chamou os mais velhos da cidade para reunirem e tentarem arranjar uma solução mas um homem de barba branca disse que, até chegar a Primavera, tinham tempo de arranjar a solução. Passou o tempo rapidamente e chegou o dia de entregar a rapariga ao Dragão.
    Nenhuma família estava disposta a entregar uma das suas filhas ao Dragão quando ele se apresentou à porta da cidade.
    Então a princesa apareceu na porta do castelo vestida de branco e sem dar tempo a ninguém reagir correu para se entregar ao Dragão. O Rei e a Rainha estavam a chorar e, de repente, ouviu-se um galope de um cavalo vindo nas nuvens. A cidade inteira olhou para o céu e viram um cavaleiro de armadura e dirigia-se em direcção à cidade num belo cavalo branco.
    – É São Jorge!- gritaram todos. 
    O Dragão ficou surpreendido e contrariado. Não gostou de ver o cavaleiro e abrindo a sua grande boca lançou um jacto de fogo aos pés de São Jorge mas ele fugiu fazendo o cavalo recuar. Com a sua lança em risco foi contra o terrível Dragão e matou-o.
    A feira deixou de existir e, naquele país, já nada tinham a recear. O São Jorge voltou para o céu e toda a gente voltou a ser feliz.

A Lenda dos rios – Brasil

A origem dos rios Xingu e Amazonas também faz parte do imaginário indígena. Dizem que antigamente era tudo seco. Juruna morava dentro do mato e não tinha água nem rio. Juriti era a dona da água, que a guardava em três tambores.

Os filhos de Cinaã estavam com sede e foram pedir água para o passarinho, que não deu e disse: “Seu pai é Pajé muito grande, porque não dá água para vocês?” Aí voltaram para casa chorando muito. Cinaã perguntou porque estavam chorando e eles contaram.

Cinaã disse para eles não irem mais lá que era perigoso, tinha peixe dentro dos tambores. Mas eles foram assim mesmo e quebraram os tambores. Quando a água saiu, Juriti virou bicho. Os irmãos pularam longe, mas o peixe grande que estava lá dentro engoliu Rubiatá (um dos irmãos) , que ficou com as pernas fora da boca.

Os outros dois irmãos começaram a correr e foram fazendo rios e cachoeiras. O peixe grande foi atrás levando água e fazendo o rio Xingu. Continuaram até chegar no Amazonas. Lá os irmãos pegaram Rubiatá, que estava morto. Cortaram suas pernas, pegaram o sangue e sopraram. Rubiatá virou gente novamente. Depois eles sopraram a água lá no Amazonas e o rio ficou muito largo. Voltaram para casa e disseram que haviam quebrado os tambores e que teriam água por toda a vida para beber.

A Lenda da Besta-Fera – Brasil

Nomes comuns: Cabeça Satânica, Quibungo, La Carreta del Diablo (Venezuela), El Macho Cabrio (Colômbia).

Origem Provável: É um mito muito semelhante a história do Lobisomem. Existe em todo Nordeste, mas é muito forte no interior do Estado de Pernambuco. A versão Brasileira pode ter surgido na época colonial no estado de Pernambuco. A Versão, Sul americana, La Carreta del Diablo, mostra uma criatura semelhante mas que é acompanhada por uma carroça fantasma.

Mito muito comum em todo meio rural do Nordeste. Existem várias versões parecidas em alguns países Latino-americanos.

Se a pessoa estiver na rua na hora que a Besta Fera for passando, o único modo de se proteger é empunhar um punhal de prata, ou um punhal comum abençoado. Assim, esse Demônio, não atacará a pessoa.

Apesar de assustador, parece ser inofensivo às pessoas. Na verdade, sua única atividade, consiste em soltar todos os animais de canis ou currais que for encontrando pela frente. Algumas pessoas que deparam com ela, cara a cara, podem perder o juízo ou ficarem momentâneamente desorientadas.

Este mito, é uma mistura do mito da Mula-Sem-Cabeça e Lobisomem. Não se sabe ao certo de onde sai essa criatura. Acredita-se que na verdade trata-se do próprio Demônio em pessoa, que sai das profundezas em noites de Lua cheia e corre pelas ruas dos povoados e pequenas cidades, só parando quando chega no cemitério da cidade, quando simplesmente, desaparece.

Seria um ser fantástico metade homem metade cavalo. O barulho dos seus cascos correndo é motivo mais que suficiente para as pessoas se trancarem em suas casas nesses dias.

Por onde passa, uma matilha de cachorros, e ouros animais o acompanham numa algazarra infernal. Vez por outra ele açoita os cachorros e os ganidos são pavorosos.

Quando ele pára na porta de uma casa, dá para ouvir sua respiração demoníaca e nessa hora, a pessoa deve rezar o “Credo” para que ele siga seu caminho. O animal que se atreve a chegar mais perto é açoitado sem piedade.

A Lenda de Boiuna – Brasil

Lenda muito difundida na Amazônia.

Boiúna seria uma cobra gigantesca que vive no fundo dos rios, lagos e igarapés. Tem um corpo tão brilhante que é capaz de refletir o luar.

 Os olhos irradiam uma luz poderosa que atrai os pescadores que se aproximam pensando se tratar de um barco gde. Qdo se aproximam viram alimento da boiúna. Qdo fica velha, a cobra vem para a terra. Como é muito gde e desajeitada fora d’água, para conseguir alimento, conta com a ajuda da centopéia de 5 metros.

O mito da boiúna fala de uma descomunal serpente que vive no fundo de gdes lagos, rios e igarapés, num lugar chamado “boiaçuquara” ou “morada da cobra grande”. Seu corpo lustroso, refletindo a luz do luar, e seus olhos, que brilham no escuro como archotes, iludem os pescadores incautos, que, pensando tratar-se de um navio aproximam-se e são devorados. Qdo atinge a velhice, passa a viver em terra, onde é auxiliado pela Centopéia na obtenção de alimento, pois sua locomoção em terra é difícil e desajeitada.

O povo da mata afirma que, qdo a centopéia anda pela mata, seu caminhar produz um som que lembra o tamborilar da chuva caindo, e diz ainda que ela mede 5 metros de comprimento.

É descrito por Alfredo da mata: “…transforma-se em mais disparatadas figuras; navios, vapores, canoas… engole pessoas. Tal é o rebojo e cachoeiras que faz, quando atravessa o rio, e o ruído produzido, que tanto recorda o efeito da hélice de um vapor. Os olhos quando fora d’água semelham-se a dois grandes archotes, a desnortear até o navegante”. Faz parte do ciclo mítico de “como surgiu a noite”, segundo a qual a Grande Cobra casa a filha e manda-lhe a noite presa dentro de um caroço de tucumã. Os portadores, curiosos, abrem o caroço, libertam a noite e são punidos.

Conta a lenda que em uma certa tribo indígena da Amazônia, uma índia, grávida da Boiúna (Cobra-grande, Sucuri), deu à luz a duas crianças gêmeas. Um menino, que recebeu o nome de Honorato ou Nonato, e uma menina, chamada de Maria. Para ficar livre dos filhos, a mãe jogou as duas crianças no rio.

Lá no rio eles se criaram. Honorato não fazia nenhum mal, mas sua irmã tinha uma personalidade muito perversa. Causava sérios prejuízos aos outros animais e também às pessoas.

Eram tantas as maldades praticadas por ela que Honorato acabou por matá-la para pôr fim às suas perversidades.

Honorato, em algumas noites de luar, perdia o seu encanto e adquiria a forma humana transformando-se em um belo e elegante rapaz, deixando as águas para levar uma vida normal na terra.

Para que se quebrasse o encanto de Honorato era preciso que alguém tivesse muita coragem para derramar leite na boca da enorme cobra, fazendo um ferimento na cabeça até sair sangue. Mas ninguém tinha coragem de enfrentar o enorme monstro. Até que um dia um soldado de Cametá (município do Pará) conseguiu libertar Honorato do terrível encanto, deixando de ser cobra d’água para viver na terra com sua família.

A Lenda do Urutau, Jurutaui ou Mãe da Lua – Brasil

O Urutau é uma ave noturna que, quando a lua desponta, solta um grito triste e assustador. Sobre ele, conta-se uma curiosa lenda.

Numa humilde casinha do sertão, vivia com seus pais uma moça muito feia. Naturalmente, por causa disso, não conseguia arranjar um namorado. O tempo passava, suas amigas todas se casaram e ela continuava desprezada.

Mantendo ainda alguma esperança de que lhe surgisse um pretendente – pois, afinal, tinha suas qualidades: inteligente, trabalhadeira e boa cozinheira – adquiriu o hábito de sair à noite para passear pelos campos e bosques.

Certa vez, em um desses passeios, ouviu o tropel de um cavalo que se aproximava. O coração aos pulsos, imaginou que ali vinha o homem que se casaria com ela. Em poucos segundos viu descer de uma cavalo ricamente arreado, um belo e garboso cavaleiro, um príncipe que se aproximou e perguntou-lhe como podia chegar à estrada principal. A moça habilmente procurou cativar o príncipe pela gentileza e ofereceu-se para acompanhá-lo. Apesar de feia, era muito inteligente e foi fácil manter uma conversa agradável com o príncipe que, impressionado e não lhe percebendo a feiura, pois não havia luar, pediu-a em casamento. Mas infelizmente, sua felicidade durou pouco. A lua surgiu, iluminando o rosto da jovem. O príncipe, tomado de grande espanto, inventou uma desculpa para se afastar e se foi. A jovem, que de nada suspeitava, ficou esperando o seu regresso.

Muito tempo depois, uma feiticeira sua conhecida, ia passando e parou para conversar. A moça contou a ela o que acontecera e pediu para ser transformada numa ave e, assim, poder encontrar logo o príncipe. A feiticeira não queria, mas a jovem insistiu tanto que ela acabou concordando. Partiu, então, a jovem, transformada numa ave feia e desajeitada. Percorreu toda a região por várias vezes e nada de avistar o príncipe, que àquela altura, já estava bem longe.

Desolada, a ave – que era o urutau – procurou a bruxa e pediu para voltar à forma humana. Esta, porém nada pode fazer e a pobre teve que se conformar com seu destino de ave feia e triste. É por isso que, quando a lua aparece, o urutau solta aquele grito triste que parece dizer “foi, foi, foi”, lembrando o príncipe que fugira da moça feia.

O uratau é um pássaro solitário e de hábitos noturnos que dificilmente se deixa ver. Pousado na ponta de um galho seco,dar nenhum tipo de sinal de vida. O feiticeiro da tribo alegou que Nheambiú perdera a fala para sempre, a não ser que uma grande dor a fizesse voltar a ser o que era antes. Então a jovem recebeu todos os tipos de notícias tristes, a morte de seu pais e amigos, mas ela não dava nenhum sinal, até que o pajé falou “Cuimbaé acaba de ser morto”.

No mesmo momento a moça, lamentando repetidas vezes, tomou vida e desapareceu dentro da mata. Todos que ali estavam transformaram-se em árvores fitando a lua e estremecendo a calada da noite, emite seu canto tenebroso assemelhado a um lamento humano. Por este motivo, o povo também o chama de “mãe-da-lua”. Seu grito talvez seja o mais assustador de todos, entre as aves. “Meu filho foi, foi, foi…” – interpreta o povo. Por causa de seu grito, o uratau é muitas vezes associado a maus presságios, mas segundo a mitologia tupi-guarani, é uma ave benfazeja.

Segundo a lenda, uma moça guarani chamada Nheambiú, apaixonou-se profundamente por um bravo guerreiro tupi chamado Cuimbaé, que caíra prisioneiro dos guaranis. Nheambiú pediu a seus pais que consentissem o casamento com Cuimbaé. Todos os insistentes pedidos foram negados, com a alegação que os tupis eram inimigos mortais da nação guarani. Não podendo mais suportar o sofrimento, Nheambiú saiu da taba. O cacique mobilizou seus guerreiros na procura da filha e, após uma longa busca, a jovem índia foi encontrada no coração da floresta, paralisada e muda, tal qual uma estátua de pedra, sem secas, enquanto que Nheambiú tomou a forma de um uratau e ficou voando, noite após noite, pelos galhos daquelas árvores amigas, chorando a perda de seu grande amor.

Em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, Câmara Cascudo testemunha que essa ave noturna, de canto agourento, “melancólico e estranho, lembrando uma gargalhada de dor”, cercou-se de “misterioso prestigio assombrador”.

Coutinho escreve que as penas dessa sinistra ave são um poderoso “amuleto de preservação da castidade feminina”. A mesma informação é dada por Câmara Cascudo e Orico, que evocam o testemunho de José Veríssimo, 40, que afirma ser a pele da ave, seca ao sol, que serve de breve contra a luxúria, “curando” as donzelas das tentações do sexo. Bastava que se varresse o chão, a rede ou cama onde a jovem deitasse, para que fosse afastado dali o que pudesse despertar desejos carnais.

O mesmo caráter agourento é atribuído a outra esta espécie de coruja, a “Rasga-Mortalha”, esta última – esclarece Câmara Cascudo – tem esse nome em virtude do som que produz o atrito de suas asas, que faz lembrar um pano sendo rasgado.

A Lenda da Onça-Boi – Brasil (Norte)

Muito comum na Região Norte do Brasil, também conhecida como Onça Pé de Boi, é uma lenda sobre um animal fantástico que muitos pescadores , caçadores e mateiros que se aventuram pelas florestas juram já ter visto. Segundo os populares suas características são:
1.É uma Onça Pintada com uma anomalia de ter quatro patas como as de um boi.
2.A Onça-Boi anda sempre aos pares um macho e uma fêmea ,isto dificulta muito alguém escapar, pois se encurralarem a pessoa em algum lugar , elas são capazes de reservar a vigilância do local em quanto uma se alimenta ou dorme.
3.A única maneira de matar este animal é ao avistá-lo matar primeiramente o macho, assim a fêmea ficará desnorteada e será fácil fugir ou mesmo matá-la.