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Taina-Can, a Estrela Vésper (Mito Carajá) – Brasil

Este mito é da origem dos índios carajás, do estado Goiás, Brasil.

Os carajás (também karajás) são um grupo indígena que falam uma língua alocada ao tronco linguístico macro-jê, que também inclui as famílias jê e maxacali. Os carajás habitam a região do Rio Araguaia desde que deles se tem notícia.

Dividem-se em três subgrupos que também correspondem aos três dialectos por eles falados: os carajás propriamente ditos, os javaés e os xambioás (por vezes referidos como carajás-do-norte). Eles se auto-denominam inã, que é um termo comum aos três subgrupos. Algumas classificações consideram os javaés como um grupo distinto, embora eles partilhem a mesma cultura e a mesma vida ritual dos carajás e xambioás, apenas se distinguindo por alguns detalhes.

Habitam tradicionalmente as margens do Rio Araguaia, a partir da cidade de Aruanã no estado de Goiás, a Ilha do Bananal, onde se concentra o maior número de aldeias, até as aldeias xambioás, já no estado de Tocantins, próximos do município de Santa Fé do Araguaia.

Viveram tradicionalmente da agricultura, da caça de animais da região (caititu, anta) e principalmente da pesca. Actualmente, devido à pressão da colonização brasileira e da criação de uma dependência quanto aos bens dos não índios, acabam por comercializar uma parte dos produtos da pesca, artesanato, entre outras actividades comerciais.

Um casal carajá teve duas filhas: Imaeró (Imaherô), a mais velha e Denaque (Denakê), a mais nova. Num anoitecer de céu estrelado, Imaeró viu Taina-can (Tahina-can) brilhar tão bela que não se conteve e disse:

- Pai, é tão bonito aquilo! Eu queria possuí-lo!

O pai riu e disse-lhe que Taina-can estava tão longe que ninguém o poderia alcançar. Contudo acrescentou:

- Só se ele, ouvindo-te, quiser vir.

Alta noite, quando todos dormiam, a moça sentiu que alguém estava ao seu lado. Sobressaltada, indagou:

- Quem és e o que queres de mim?

- Eu sou Taina-can, ouvi que me querias e vim. Casa comigo, sim?

Imaeró acordou os pais e acendeu o fogo. Taina-can era um velho, de cabelos brancos e pele enrugada. Vendo-o à luz da fogueira, Imaeró disse:

- Não te quero para meu marido. Eu quero um moço forte e bonito.

Taina-can ficou muito triste e chorou. Então, Denaque, compadeceu-se dele e procurou consolá-lo dizendo:

- Pai, eu me caso com ele!

E, o casamento realizou-se, com grande alegria do velhinho. Depois de casado, Taina-can disse:

- Vou trabalhar para te sustentar, Denaque. Vou fazer um roçado para plantar coisas boas, que carajá ainda não possui nem conhece.

E foi ao rio Araguaia (Berô-can), dirigiu-lhe a palavra e, entrando nele, ficou com as pernas abertas, de maneira que as águas passavam entre elas. Curvado para a corrente, de vez em quando mergulhava as mãos e apanhava as boas sementes que iam jogando rio abaixo. Assim, as águas deram-lhe um punhado de milho cururuca, feixes de raiz de mandioca, e muito mais. Saindo do rio, ele disse a Denaque:

- Vou derrubar mato para fazer roçado. Porém, não venhas me ver no trabalho, fica em casa, cuidando da comida.

Taina-can foi, mas demorou tanto que, preocupada, Denaque resolveu desobedecer às recomendações e foi, de mansinho, procurá-lo. Ah! Que surpresa! Quem estava ali a trabalhar era um belo moço, alto, cheio de força e de vida, que tinha no corpo os enfeites e as pinturas que os carajá ainda hoje usam. Denaque não se conteve, louca de alegria correu a abraçá-lo. Depois, o levou consigo para casa, contente por mostrar aos pais como seu esposo era na verdade. Foi então que Imaeró o desejou também e disse a Taina-can:

- Tu és meu marido, pois vieste para mim e não para Denaque.

Mas Taina-can respondeu-lhe:

- Só em Denaque encontrei bastante bondade, para ter pena do pobre velhinho. Agora não te quero, só Denaque é minha!

Imaeró, de despeito e inveja, soltou um grito, caiu no chão e no lugar dela, viu-se um Urutau, pássaro que ainda hoje dá um grito triste e tão forte que parece ser uma ave muito maior. Foi assim que a nação carajá aprendeu com Taina-can a plantar o milho, o ananás, a mandioca e outras coisas boas que antes não conhecia.

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6 thoughts on “Taina-Can, a Estrela Vésper (Mito Carajá) – Brasil

  1. A fonte “desta lenda” seria muito interessante, conheci a Lenda wanana da tribo Tainá, publicada em 1930, pelo projeto Rondon, existente no Museo do Índio do Rio de Janeiro, dando conta que Tainá era o nome dado a um guerreiro que caminhava pelas estrelas, que nas noites de luar, pegava os inimigos de seus amigos e os deixava em uma estrela distante, e que “quando surgia o primeiro raio de sol ou luz da manhã”, seus amigos estavam sem inimigos. Assim, Tainá, traz como significado : estrela, luz da manhã ou primeiro raio de sol (significado usado desde 1982 para meninas), no entanto sendo referente a um guerreiro, razão pela qual existem vários “Tainá, Tayna, Taynã ou Tainã” do sexo masculino inclusive nascidos antes 1945. Conheci um senhor de 82 anos, e pelo menos outros 05 com idades variando de 36 a 52 anos. Eu tenho 39, meus pais visitaram o museu em 1974 quando era no bairro do Maracanã, já eu visitei aos 10 anos no Botafogo.

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